história

A Medicina Hiperbárica ou Oxigenoterapia Hiperbárica surgiu em 1662, na Europa, através das observações do padre inglês Henshaw, que exercia a medicina. Ao se deparar com o fato de que pessoas que habitavam regiões montanhosas apresentavam significativas melhoras em suas feridas ao permanecerem em tratamento em regiões litorâneas, o padre levantou a hipótese de que tal melhora teria como razão a diferença de pressão atmosférica.

Para comprovar tais observações, o padre construiu um “domicilium”, um vaso de pressão, onde começou a aplicar “banhos de ar comprimido” em pessoas com patologias agudas. Os resultados obtidos, através destes “banhos” de pressão mais elevada que a pressão atmosférica, foram positivos e, a partir daí, foi iniciada a fundamentação da oxigenoterapia hiperbárica.

Porém os estudos científicos sobre a Medicina Hiperbárica só se intensificaram a partir dos anos 1950, quando se descobriu que a inalação de oxigênio puro, dentro de câmaras hiperbáricas, aumentava as taxas de oxigenação do sangue e de todos os tecidos do corpo. Concluiu-se daí que tal aumento propiciava o combate a infecções, acelerava os processos de cicatrização e potencializava o uso de antibióticos. 

definição

A Medicina Hiperbárica ou Oxigenoterapia Hiperbárica é uma área da medicina que utiliza como tratamento a administração de oxigênio puro aos pacientes, estando estes submetidos a uma pressão maior do que a pressão atmosférica. Para criar esse ambiente de maior pressão são utilizadas as câmaras hiperbáricas, que permitem alcançar uma pressão de 2 a 3 vezes maior que a pressão atmosférica ao nível do mar.

Nessas câmaras o oxigênio é fornecido através de máscaras colocadas na face do paciente com a finalidade de inalar diretamente o oxigênio a uma concentração de 100% (oxigênio puro).

A Oxigenoterapia Hiperbárica é um tratamento complementar e é utilizado conjuntamente com as terapias já consagradas. Seu papel é atuar como um acelerador do processo de cura,  através de um aumento da saturação de oxigênio no organismo que permite uma aceleração na normalização de cicatrizações e no combate a diversas infecções.

câmaras hiperbáricas

A câmara hiperbárica é o equipamento necessário para a realização do tratamento por Oxigenoterapia Hiperbárica de forma segura. As câmaras devidamente certificadas, além de proporcionarem conforto aos pacientes, são equipadas com uma central de monitoramento contínuo da pressão, dos percentuais de oxigênio e das condições do paciente, possuindo neste caso um circuito de som e vídeo que monitora todas as atividades dentro da câmara.

A Medicina Hiperbárica de Santos possui duas câmaras multiplace, ou seja, duas câmaras que acomodam mais de um paciente por sessão.

  • Câmara 1 – capacidade para 2 pacientes deitados, 1 sentado e 1 profissional da saúde
  • Câmara 2 – capacidade para 6 pacientes sentados e 1 profissional da saúde

modo terapêutico

A Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) é indicada como terapia complementar em diversas patologias agudas ou crônicas, sejam elas de natureza isquêmica, infecciosa, traumática ou inflamatória. A OHB é geralmente aplicada em casos graves e resistentes aos tratamentos convencionais e que, na maior parte do tempo, implicam em custos elevados e prognósticos desfavoráveis a integridade física do paciente.

A aplicação da OHB vem se expandindo no mundo todo devido à constatação de que ela atinge dois dos mais desejados benefícios da medicina contemporânea: a redução dos custos e a rápida eficácia do tratamento. A diminuição do tempo de resposta melhora os resultados do processo de cicatrização, diminuindo assim os índices de sequelas, cirurgias, mutilações, rejeições de enxertos, cicatrizações deformantes de queimaduras, medicamentos e longas internações hospitalares.  

A Oxigenoterapia Hiperbárica apresenta como benefícios:

  • A vasoconstrição, favorável em casos de edema;
  • O efeito antimicrobiano e antibacteriano, facilitando a atuação dos leucócitos e consequente diminuição da produção de substâncias tóxicas;
  • A potencialização dos efeitos de vários medicamentos; 
  • O aumento da oxigenação do sangue, pelo acréscimo de oxigênio dissolvido no plasma;
  • O crescimento de novos leitos capilares ou neovascularização;
  • O restabelecimento da oxigenação dos tecidos, no caso de intoxicação por monóxido de carbono e
  • A eliminação de embolia gasosa, no caso de acidentes de mergulho.     

número e duração das sessões do tratamento

O número e a periodicidade das sessões são sempre indicados pelo médico hiperbárico, dependendo da enfermidade apresentada pelo paciente. As sessões duram em torno de 90 a 120 minutos  e são sempre acompanhadas com um profissional responsável que se mantém todo o tempo junto aos pacientes.

Caso haja necessidade de o paciente se submeter a infusões venosas, transfusões ou drenagens de feridas ou cavidades durante a realização da sessão, o profissional responsável, presente dentro da câmara, realizará o procedimento.   

indicações

A Oxigenoterapia Hiperbárica é indicada para o tratamento das patologias abaixo citadas. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina, em consonância com o preconizado pela Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica e a Undersea & Hyperbaric Medical Society (EUA), editou em 1995 a Resolução nº 1457, disciplinando a aplicação do tratamento. 

Indicações:

  • embolia gasosa
  • doença descompressiva
  • embolia traumática pelo ar
  • envenenamento por monóxido de carbono ou inalação de fumaça
  • envenenamento por cianeto ou derivados cianídricos
  • gangrena gasosa
  • gangrena de Fournier
  • infecções necrotizantes de tecidos moles: celulites, fasciites, miosites
  • isquemias agudas traumáticas: lesão por esmagamento, síndrome compartimental, reimplantação de extremidades amputadas e outras
  • vasculites agudas de etiologia alérgica, medicamentosa ou por toxinas biológicas (aracnídeos, ofídios e insetos)
  • queimaduras térmicas e elétricas
  • lesões refratárias: úlceras de pele, lesões do pé-diabético, escaras de decúbito, úlcera por vasculites auto-imunes, deiscências de suturas
  • lesões por radiação: radiodermite, osteorradionecrose e lesões actínicas de mucosas
  • retalhos ou enxertos comprometidos ou de risco
  • osteomielites crônicas
  • Anemia aguda, nos casos de impossibilidade de transfusão sangüínea

Indicações relativas:

  • traumatismo de partes moles com isquemia tecidual
  • fraturas expostas com perda de cobertura cutânea
  • doença de Crohn, retocolite ulcerativa com ou sem fístulas
  • infecções graves com destruição muscular, de pele ou gordura subcutânea
  • coleção de pus ou ar no cérebro, causados, respectivamente, por processo infeccioso e trauma
  • abscesso cerebral
  • intoxicação por tetracloreto de carbono
  • acidente vascular cerebral agudo, trombótico ou embólico
  • traumatismo craniano (edema cerebral)
  • cicatrização de fraturas e enxertos ósseos
  • intoxicação pelo sulfeto de hidrogênio
  • mucomicose, canibolus coronato e aspergilose invasiva
  • abscessos intra-abdominais, sépsis (peritonite)
  • traumatismo de coluna vertebral
  • hanseníase
  • meningite meningocócica
  • esclerose múltipla
  • colite pseudomembranosa
  • enterite, proctite e mielite por irradiação
  • Insuficiência aguda da artéria retiniana central

relação custo/benefício

Como a Oxigenoterapia Hiperbárica acelera o processo de recuperação de várias patologias, reduzindo o tempo de hospitalização e de emprego de antibióticos, há uma diminuição dos custos globais dos tratamentos. Diversos estudos concluíram também que há uma redução da necessidade de cirurgias mutiladoras, desta forma o custo emocional para o paciente e seus familiares é muito menor.

Desta forma a Oxigenoterapia Hiperbárica contribui para o aumento da confiabilidade em relação ao médico, pois implica numa melhora em casos de difícil recuperação pela utilização de métodos tradicionais, e aumenta também a satisfação dos associados com relação aos planos de saúde que oferecem essa opção de tratamento.

 

2010, Actumplus Soluções Tecnológicas